O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou a realização de uma auditoria em todos os contratos do Corpo de Bombeiros. A decisão foi tomada após a identificação de um convênio de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrópole, órgão atualmente sob investigação por suspeitas de corrupção.
A proximidade entre o comandante-geral da corporação, Tarciso Salles, e o ex-presidente do instituto, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, também motivou a ação do governo. Didê está preso e é alvo de apurações sobre supostas irregularidades em contratos que totalizam R$ 86 milhões.
Investigação e relações sob suspeita
A auditoria busca esclarecer os trâmites do convênio que previa o repasse de verbas do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros para o Instituto Rio Metrópole. O parecer da Procuradoria-Geral do Estado foi contrário à parceria, argumentando que os recursos do fundo devem ser destinados exclusivamente a investimentos diretos da corporação, como aquisição de viaturas e equipamentos.
As relações entre os envolvidos tornaram-se públicas após a circulação de vídeos e registros fotográficos. O comandante Tarciso Salles enviou felicitações ao ex-presidente do instituto em seu aniversário e, em novembro de 2024, concedeu a ele a Medalha Mérito Avante Bombeiro, honraria destinada a personalidades que prestaram serviços à instituição.
Contexto e desdobramentos administrativos
O ex-presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, já possuía antecedentes envolvendo o poder público. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, ele foi preso sob acusação de venda de respiradores superfaturados ao governo de Santa Catarina. Apesar das investigações iniciadas na época, a proximidade com membros da alta cúpula dos Bombeiros foi mantida.
O governo estadual iniciou um processo de exonerações no Instituto Rio Metrópole nos últimos dias. Após a prisão de Didê, 13 pessoas deixaram seus postos no órgão, com a expectativa de novas publicações no Diário Oficial nesta quarta-feira (22). A defesa de Davi Perini Vermelho afirmou que todos os contratos firmados em sua gestão passaram por fiscalização técnica e pareceres jurídicos, negando irregularidades no convênio citado.

















