Justiça bloqueia R$ 19,7 milhões de Brígida Rachid em investigação de irmandades

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A investigação sobre a administração de antigas irmandades religiosas no Centro do Rio de Janeiro, especificamente a Irmandade de São Brás e a Ordem Terceira da Boa Morte, atingiu um novo estágio. O juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa (ORCRIM), determinou o bloqueio de R$ 19.770.919,42 em valores pertencentes à ex-provedora Brígida Rachid.

A decisão judicial, executada por meio do sistema SISBAJUD, impõe restrições severas sobre o patrimônio da investigada. Além do bloqueio financeiro, o magistrado ordenou restrições sobre veículos através do sistema RENAJUD, avançando nas medidas cautelares contra a gestora, que também já foi investigada pelo exercício ilegal da profissão de dentista.

Complexidade do processo judicial

O caso, que tramita na 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, aponta para a gestão de entidades que permaneceram fechadas ao culto católico por anos. A Justiça busca investigar se as instituições foram utilizadas como instrumentos para acumulação de riqueza pessoal, desviando-se de suas finalidades religiosas e históricas.

O processo ganhou contornos de complexidade devido à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A acusação formal resultou no afastamento de Brígida Rachid da administração dos templos, sendo o bloqueio de ativos a medida mais recente para salvaguardar os interesses e o patrimônio das entidades religiosas.

Irregularidades no patrimônio histórico

Denúncias indicam que o edifício histórico da irmandade sofreu alterações em sua fachada, com a perda de afrescos e a inclusão de nomes de gestores. Relatos apontam também para a compra de quatro imóveis no Leblon pela investigada, adquiridos por valores abaixo do mercado, apesar de as instituições possuírem renda imobiliária.

A situação de abandono da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, que ostenta talhas do Mestre Valentim, motivou a intervenção de órgãos de preservação. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizou ações emergenciais para tentar conter a degradação causada por cupins e pela falta de manutenção adequada sob a gestão anterior.

Antecedentes do caso e revelações

A série de reportagens iniciada pelo DIÁRIO DO RIO em dezembro de 2024 trouxe o caso a público, revelando o fechamento do templo e a administração concentrada na família Rachid. O jornal acompanhou o sumiço de imagens sacras tombadas de São Brás e Nossa Senhora da Boa Morte, além de danos estruturais severos na sacristia.

Documentos obtidos pelo veículo sugerem que o patrimônio total sob suspeita gira em torno de R$ 500 milhões, valor contestado em registro de cartório por Aloysio Rachid, irmão da investigada. Enquanto a investigação criminal foca inicialmente em valores próximos a R$ 12 milhões, o Ministério Público e a Justiça mantêm o rigor para garantir a preservação da história e a continuidade do culto nas instituições centenárias do Rio.

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