A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty abre espaço para vozes negligenciadas pela sociedade com uma programação especial dedicada à literatura de inclusão. No dia 24 de julho, às 17h30, a Casa da Leitura e do Conhecimento sedia a roda de conversa intitulada “Revista da Calçada – quando os invisíveis escrevem a cidade”.
O debate será focado na primeira publicação nacional composta integralmente por poemas escritos por moradores de rua. O projeto traz à tona produções artísticas desenvolvidas em um ambiente que busca dignidade através da escrita e da expressão cultural.
Origem e desenvolvimento do projeto
A revista foi lançada em fevereiro de 2026 e compila 46 textos inéditos. Esse material é fruto de 41 oficinas de poesia promovidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio (SMAS), realizadas entre junho e setembro de 2025.
As atividades ocorreram em mais de 15 unidades de acolhimento da rede municipal carioca. O objetivo principal foi proporcionar meios de expressão para pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, permitindo que elas transformassem suas vivências cotidianas em arte literária.
Participantes e alcance da iniciativa
O trabalho foi coordenado pelo escritor Léo Motta, que é ex-morador de rua e autor da trilogia “Há Vida Depois das Marquises”. A edição mais recente de sua obra foi apresentada ao público durante a Bienal do Livro do Rio, em 2025.
A iniciativa faz parte do projeto Super-Ação, idealizado por Léo Motta em parceria com a SMAS. Além do escritor, o debate na Flip contará com a presença de Pedro Gerolimich, presidente da Imprensa Oficial da Cidade, local onde a revista foi impressa.
A produção do material envolveu a participação de 654 pessoas durante todo o ciclo de oficinas. Ao final da roda de conversa, haverá uma leitura pública de poemas e a distribuição gratuita de exemplares da revista para os presentes na feira literária.
A voz dos invisíveis na literatura
A publicação aborda temas profundos, refletindo as dores e os sonhos de quem habita as ruas. O poema intitulado “Limite” é um dos destaques do volume e ilustra as dificuldades enfrentadas pela população em situação de rua na capital fluminense, com versos que mencionam desabafos sobre o cotidiano.
A presença desta obra na Flip reforça a importância de políticas de assistência social que transcendem o atendimento básico e focam na reintegração social através da arte. O evento em Paraty representa um marco para a visibilidade de grupos historicamente marginalizados dentro do mercado literário brasileiro.

















