O romance Grande Sertão: Veredas completa 70 anos de publicação em 16 de julho de 2026. Embora a trama se desenrole no sertão entre Minas Gerais e Bahia, a obra foi escrita por João Guimarães Rosa durante sua residência no Rio de Janeiro.
O autor, que viveu na capital fluminense por quase duas décadas, utilizou o cotidiano urbano como fonte de inspiração para a construção de seus personagens e reflexões literárias. O processo de criação foi consolidado em um apartamento situado em Copacabana, zona sul da cidade.
Rotinas e inspirações cariocas
O pesquisador Leonêncio Nossa aponta que os deslocamentos diários de Guimarães Rosa foram fundamentais para o desenvolvimento de seu universo literário. O escritor evitava o uso de automóveis particulares, preferindo a observação do movimento a bordo de linhas de ônibus da capital.
Outro ponto de reflexão recorrente eram as viagens de barca. Segundo João Emilio Ribeiro Neto, o neto do autor, Guimarães Rosa frequentemente atravessava a Baía de Guanabara entre o Rio de Janeiro e Niterói durante o horário de almoço para tomar decisões importantes sobre o texto.
O cotidiano de Copacabana
A produção literária do autor encontrou um ponto de apoio estratégico no Edifício Ícaro, localizado na Avenida Francisco Otaviano, em Copacabana. De frente para o mar, o escritor dividia seu tempo entre suas atividades como médico, diplomata e o exercício da literatura.
Essas observações feitas na cidade serviram de base para a criação dos nomes e das personalidades que compõem o romance. Mesmo a mil quilômetros de distância do cenário narrativo principal, a vivência na metrópole foi determinante para a obra-prima da literatura brasileira.
Histórico do autor
João Guimarães Rosa teve uma trajetória marcada por grandes realizações literárias no período em que residiu no Rio de Janeiro. O escritor faleceu em 19 de novembro de 1967, vítima de um infarto em seu apartamento, apenas três dias após sua posse na Academia Brasileira de Letras.

















