Inscrição em persa antigo no Theatro Municipal é decifrada após um século

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Uma inscrição gravada em escrita cuneiforme no Salão Assyrio, localizado no subsolo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi decifrada após mais de um século de mistério. A descoberta, revelada no mês de julho de 2026, identifica uma referência direta a um palácio do antigo Império Persa.

O trabalho de tradução foi conduzido pelos professores Alex Mazzanti, docente de Latim da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Matheus Treuk, pesquisador de Arqueologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A identificação do conteúdo ocorreu durante as celebrações de aniversário do prédio histórico.

Origem e contexto histórico da inscrição

O Salão Assyrio integra o patrimônio cultural do edifício desde a sua inauguração, em 1909. O espaço foi projetado durante a reforma urbana conduzida pelo prefeito Pereira Passos, que transformou a arquitetura do Rio de Janeiro no início do século XX.

A decoração do salão reflete o fascínio da época pela estética orientalista, comum durante o período da Belle Époque francesa. Enquanto a fachada principal do Theatro Municipal seguiu os moldes da Ópera de Paris, os ambientes internos incorporaram elementos de diversas civilizações da Antiguidade.

Detalhes técnicos sobre a descoberta

As investigações apontam que a inscrição não é um original antigo transportado para o local, mas sim uma adaptação técnica. A obra foi produzida por uma empresa francesa que, no século XIX, especializou-se em reproduzir monumentos e relevos persas para instituições culturais ao redor do mundo.

O estudo conduzido pelos especialistas da UFRJ e da Uerj comprova que o texto cuneiforme apresenta uma menção explícita a estruturas arquitetônicas reais do império persa. Este achado estabelece uma conexão inédita entre o patrimônio fluminense e a história milenar do Oriente Médio.

Histórico do Salão Assyrio

O Salão Assyrio permaneceu como um dos ambientes mais emblemáticos do teatro, sendo conhecido por sua ornamentação exótica e singular dentro do contexto carioca. Embora a presença de referências aos impérios Assírio e Persa fosse de conhecimento público desde 1909, o significado preciso da escrita cuneiforme gravada em suas paredes permaneceu sem tradução por quase 117 anos.

A solução do enigma, alcançada pelos professores Alex Mazzanti e Matheus Treuk, encerra um longo período de incerteza histórica sobre a natureza dos registros decorativos presentes no subsolo. A decifração enriquece o entendimento sobre a influência das civilizações antigas na arquitetura e na identidade visual do Theatro Municipal.

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