O Arquivo Nacional negocia um acordo de cooperação técnica com a Caixa Econômica Federal para digitalizar 158 cadernetas de poupança pertencentes a pessoas escravizadas do século 19. A iniciativa visa preservar registros históricos e facilitar o acesso de pesquisadores e da sociedade a esses documentos no Rio de Janeiro e em todo o país.
As tratativas seguem avançando com novas inspeções técnicas no acervo para avaliar o estado de conservação dos livros contábeis. Segundo a diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, o órgão já enviou um modelo de acordo de cooperação para avaliação da instituição financeira.
Detalhamento do acervo e contexto
Os documentos foram localizados pela Caixa após um levantamento solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF). Os registros contêm dados sobre nomes, profissões, endereços e movimentações financeiras de pessoas escravizadas que conseguiram formar pecúlio antes da abolição.
Um dos registros revela a história de Lydia, uma lavadeira de 27 anos cujos depósitos como escrava de ganho permaneceram sem movimentação até o ano de 1931. A documentação é considerada fundamental para a compreensão da história da escravidão e da formação do sistema financeiro brasileiro.
O Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil para investigar o destino das contas após receber uma representação do movimento negro. O procedimento busca garantir a preservação do material e assegurar a publicidade dos registros históricos contidos nas cadernetas.

















