Morro do Castelo: a história esquecida do bairro apagado pelo Rio de Janeiro

WhatsApp
Facebook
X
LinkedIn
Pinterest
Telegram

O Morro do Castelo, local histórico onde o Rio de Janeiro foi fundado em 1567, foi completamente demolido no início do século XX para dar lugar a uma nova configuração urbana. O projeto de arrasamento deslocou cerca de 4.200 moradores que viviam em 408 prédios, alterando permanentemente a memória da cidade.

A rotina sob a perspectiva dos moradores

A historiadora Cláudia Míriam Quelhas Paixão, em sua dissertação na Universidade Federal Fluminense, revelou detalhes sobre o cotidiano local entre 1904 e 1922. A pesquisa utiliza registros da 5ª Delegacia de Polícia e depoimentos como os de Florinda Alói e Francisco Alói Moreno, que vivenciaram o processo de despejo forçado.

Diferente da imagem de desorganização muitas vezes associada ao morro, o Castelo abrigava uma sociedade estruturada. A família de Florinda e Francisco, por exemplo, mantinha atividades econômicas no Mercado Municipal da Praça XV e exercia ofícios como costura e parteira. Os moradores frequentavam instituições como o Colégio Carlos Chagas e diversas igrejas locais.

O centro de poder que se tornou popular

Originalmente chamado de Morro do Descanso, o local foi sede das principais instituições coloniais, incluindo a Casa do Governador e a Igreja de São Sebastião. Com o crescimento da cidade, o poder político e as elites desceram para a várzea, transformando o topo da colina em um bairro predominantemente popular.

No início do século XX, o local mantinha um contraste arquitetônico e social marcante em relação às novas avenidas que buscavam uma estética parisiense. Enquanto o centro da cidade se modernizava, o Castelo preservava um estilo de vida de vizinhança, com lavanderias, comércio local e festividades religiosas tradicionais, como as celebrações de São Sebastião.

O fim de um bairro e seus reflexos

A última missa na Igreja de São Sebastião ocorreu em 1º de novembro de 1921, marcando o encerramento das atividades no templo que guardava os restos mortais de Estácio de Sá. Com a demolição, as famílias foram transferidas para áreas precárias, como a Praça da Bandeira, antes de se estabelecerem em outros pontos da capital fluminense.

O desmonte do Morro do Castelo não foi apenas uma obra de engenharia, mas um processo de remoção que fragmentou comunidades estabelecidas há séculos. A documentação recuperada pela pesquisa de Cláudia Paixão demonstra que o bairro possuía uma economia ativa e uma rede social sólida, composta por alfaiates, carpinteiros e pequenos comerciantes que foram forçados a abandonar suas moradias.

WhatsApp
Facebook
X
LinkedIn
Pinterest
Telegram

Nunca perca as notícias importantes do dia. Inscreva-se em nossa newsletter e receba notícias em seu email.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 + três =

Nunca perca as notícias importantes do dia. Inscreva-se em nossa newsletter e receba notícias em seu email.

Últimas Notícias

Veja Mais