A Polícia Federal indicou a existência de vínculos entre o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o grupo criminoso liderado pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. A investigação, conduzida durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, sugere que o ex-parlamentar estaria sob influência do esquema apontado pelo órgão.
O principal ponto de conexão identificado pelos agentes é um veículo Mercedes-Benz GLE 400 blindado, apreendido na residência de Bacellar em Teresópolis, na Região Serrana. Embora o caseiro tenha afirmado que o carro pertencia à residência, registros do Detran indicam que o automóvel está em nome de uma empresa ligada ao filho do empresário Marcos Alexandre Barros Rodrigues.
Investigações sobre operadores financeiros
Marcos Alexandre é apontado como figura central na gestão de empresas utilizadas por Adilsinho para viabilizar repasses a agentes públicos. Somente nas eleições de 2022, a Gráfica Editora Completa, vinculada ao grupo, movimentou cerca de R$ 1,5 milhão através de fundos públicos eleitorais em serviços prestados a 73 candidatos.
A Polícia Federal identificou que, uma semana após o início da operação, houve uma alteração societária considerada suspeita, com a saída do filho do empresário do quadro da empresa. As autoridades interpretam o movimento como um indício de obstrução da Justiça e possível destruição de provas relacionadas à propriedade do veículo de luxo.
Uso de aeronaves e contratos públicos
Além do automóvel, a apuração focou no uso de aeronaves privadas por Rodrigo Bacellar e seus familiares, sem custos transparentes. Um dos jatos utilizados pertencia à empresa GPC Soluções em Saúde, que detém contratos com o governo do estado via Fundação Saúde, totalizando valores superiores a R$ 60 milhões sem licitação.
A aeronave, que não possuía autorização para operar como táxi aéreo, foi utilizada pela esposa do ex-presidente da Alerj em voos entre o Rio de Janeiro e Campos dos Goytacazes. Para a PF, a cessão de ativos de alto valor por empresas com contratos públicos configura indícios de recebimento de vantagem indevida e conflito de interesses.
Posicionamento da defesa e histórico
A defesa de Rodrigo Bacellar afirmou, em nota, que não há vinculação entre o político e os fatos investigados, sustentando que a instrução processual comprovará sua inocência. Os advogados criticaram a impossibilidade de acesso aos autos e o isolamento do cliente após sua transferência para a Penitenciária Federal de Brasília.
O ex-presidente da Alerj foi transferido para o presídio federal por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A medida foi motivada pela denúncia de que Bacellar estaria recebendo privilégios indevidos na unidade anterior, incluindo o acesso a aparelhos celulares.

















