O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole (IRM). A operação resultou na prisão do ex-presidente da autarquia, David Perini Vermelho, na terça-feira (9), sob suspeita de integrar uma organização criminosa que fraudava licitações.
Criado em 2018 com foco em planejamento, o IRM teve seu orçamento ampliado após a concessão dos serviços da Cedae em 2021. A partir de uma lei de 2023, o órgão passou a executar obras diretamente, o que permitiu um salto nas despesas de R$ 7,3 milhões para R$ 161,1 milhões em apenas um ano.
Transformação da autarquia e irregularidades
Durante a gestão de David Perini Vermelho, iniciada em janeiro de 2023, o instituto movimentou cerca de R$ 480 milhões. Promotores apontam que contratos, como um de R$ 57 milhões para manutenção de vias, careciam de detalhamento sobre locais exatos de execução, dificultando a fiscalização.
A investigação revelou que o instituto, originalmente voltado para integração de políticas públicas, tornou-se um executor de obras e intervenções urbanas. O Ministério Público apurou que licitações eram direcionadas a empresas específicas e que valores eram sacados em espécie para o enriquecimento ilícito dos envolvidos.
O histórico do órgão mostra que, após a concessão da Cedae, a autarquia passou a receber 0,5% da receita tarifária arrecadada pelas concessionárias na Região Metropolitana. Esse fluxo financeiro, somado à nova legislação de 2023, consolidou a mudança de perfil da instituição. Atualmente, 11 pessoas foram denunciadas por crimes que incluem organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

















