Justiça do Rio autoriza quebra de sigilo de celular em cela de Jairinho

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A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo dos dados de um celular encontrado na cela do ex-vereador Jairinho. A decisão foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro em 4 de julho de 2026, após pedido do Ministério Público do Rio. O aparelho havia sido localizado em 1º de julho no presídio Pedrolino Werling, em Bangu, Zona Oeste da capital.

O ex-vereador Jairinho foi condenado em junho a 43 anos de prisão por homicídio qualificado e tortura contra o menino Henry Borel. A ação judicial visa esclarecer se o conteúdo do celular poderia revelar tentativas de influenciar testemunhas. O promotor Fábio Vieira dos Santos, responsável pelo caso, argumentou a necessidade da medida.

A magistrada Elizabeth Machado Louro aceitou o pedido, destacando que a extração dos dados pode auxiliar em processos sobre outros crimes atribuídos a Jairo. Em sua decisão, a juíza afirmou: “Defiro o pedido de quebra de sigilo dos dados constantes do aparelho apreendido no interior da cela do réu Jairo”. A investigação é crucial para a continuidade dos trâmites legais.

Agentes da Divisão Especial de Inteligência Cibernética do Ministério Público ficarão responsáveis por retirar o aparelho da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu). O celular estava escondido entre livros na cela do detento, o que levanta suspeitas sobre a sua origem e uso. A descoberta gerou diversas implicações disciplinares.

O ex-vereador Jairinho será colocado em isolamento prisional como medida punitiva. A Corregedoria-Geral da Polícia Penal instaurará um processo disciplinar. Este processo apurará a conduta de servidores e do próprio detento envolvidos no incidente.

O vereador Leniel Borel, pai de Henry Borel e assistente de acusação, comentou a situação. “Agora precisa ser investigado até o fim: quem colocou esse aparelho lá, há quanto tempo estava sendo usado”, afirmou Leniel. Ele também ressaltou a importância de saber “quais mensagens foram trocadas, com quem ele falava e se houve tentativa de articulação, intimidação ou interferência em processos”.

O vereador Leniel Borel criticou duramente a presença do aparelho na prisão. “Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”, pontuou Borel. A defesa de Jairo Souza Santos Júnior informou que ainda não foi intimada sobre a decisão judicial.

O advogado Rodrigo Faucz, que representa Jairinho, declarou que se manifestará após a intimação. “Quando formos intimados, poderemos nos manifestar”, afirmou ele. A descoberta do celular reforça a necessidade de rigor na segurança prisional.

Busca após denúncia

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que a busca na cela foi determinada após uma denúncia. Informações de inteligência levantadas pela Corregedoria da instituição indicavam que o interno possuía um telefone celular. A operação foi montada para verificar a veracidade da informação.

Ao realizar a varredura no espaço, os agentes da Polícia Penal encontraram o aparelho escondido. O celular estava em meio a livros, em um local que indicava tentativa de ocultação. A ação da Seap foi fundamental para a apreensão do dispositivo.

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