O ator Vitor Feitosa denunciou ter sido agredido por um homem no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 23 de junho. A agressão, que incluiu uma cabeçada, teria ocorrido após Feitosa perguntar sobre a localização de um banheiro familiar. O artista afirma que o incidente teve motivação racista, sendo o caso investigado pela Polícia Civil.
Segundo o relato de Vitor Feitosa, ele estava acompanhado de seu filho de três anos quando abordou o agressor. Ao questionar sobre o banheiro, a resposta do homem foi imediata e agressiva, sem qualquer provocação prévia. Ele teria dito que não daria dinheiro a Feitosa, mandou o ator e seu filho sumirem dali e, em seguida, desferiu uma cabeçada no rosto.
O ator, que é negro, expressou a crença de que a reação violenta do homem não ocorreria se a mesma pergunta tivesse sido feita por uma pessoa branca. Vitor Feitosa relatou ter se sentido profundamente invadido pela situação discriminatória. Ele também lamentou o impacto negativo que o ocorrido poderia ter na percepção de seu filho, mesmo sendo tão pequeno.
Após a agressão, o agressor teria repetido, com atitude arrogante, que o incidente “não daria em nada”. Ele afirmou que Feitosa não sabia quem ele era, e que o ator “não era ninguém” para ele. O incidente ocorreu quando Vitor Feitosa havia acabado de buscar o filho na creche, localizada nas proximidades do centro comercial.
A busca por um banheiro familiar mais adequado levou o ator a interpelar o homem, que também estava com uma criança, buscando uma orientação. A interpretação de que ele estaria pedindo dinheiro, sem qualquer solicitação nesse sentido, foi considerada por Vitor Feitosa como uma manifestação clara de racismo velado. O ator se sentiu duplamente desrespeitado pela agressão e pela conotação discriminatória.
Investigação Policial e Desdobramentos
O caso foi inicialmente registrado na 14ª DP (Leblon) como lesão corporal, conforme os procedimentos iniciais da polícia militar que conduziu os envolvidos. Entretanto, o ator Vitor Feitosa alegou ter solicitado o registro da ocorrência como injúria racial, o que não foi atendido de imediato pelas autoridades. A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a investigação está em andamento na referida delegacia para apurar os detalhes.
A instituição ressaltou, em comunicado, que a tipificação inicial de um registro policial não define a conclusão da investigação. A qualificação jurídica do crime pode ser ajustada no curso do procedimento, à medida que novas provas e depoimentos sejam colhidos. A defesa do ator já fez um pedido formal para que a investigação seja transferida para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Esta medida visa garantir que o aspecto racial da denúncia seja devidamente apurado pelas autoridades especializadas. A sociedade aguarda os próximos passos da investigação para esclarecer integralmente os fatos e responsabilizar os envolvidos na agressão e no suposto ato de racismo. O episódio no Shopping da Gávea levanta novamente a discussão sobre a persistência do racismo em espaços públicos na capital fluminense.

















